A Aéropostale e o raid do aviador Ribeiro de Barros

A Aéropostale e o raid do aviador Ribeiro de Barros

Em 1930, a Aéropostale participava de mais um importante feito para a aviação mundial. Ela dava sua contribuição ao aviador paulista João Ribeiro de Barros (1900-1947) em se novo raid do Atlântico, que partiria do Brasil para a Europa.
Nos hangares da empresa, no Campo dos Afonsos, o avião batizado de Margarida, em homenagem à mãe falecida do aviador, passava por vistorias e testes.

Anos antes, em 1927, o aviador foi o pioneiro, junto com os companheiros Arthur Cunha, o copiloto João Negrão, o navegador Newton Braga e o mecânico Vasco Cinquini, a fazer a travessia do Atlântico Sul. Pilotando um hidroavião de fabricação italiana rebatizado de Jahú (nome de sua cidade natal), João Ribeiro de Barros tornou-se o primeiro aviador das Américas a realizar um voo transatlântico. Ele ganhou notoriedade nacional e internacional sendo condecorado em vários países. Decolando de Gênova na Itália, seu objetivo era provar que o avião era capaz de voar de forma totalmente autônoma, com seus próprios recursos. Apesar das sabotagens sofridas, ele logrou êxito em seu intento e foi recebido como herói no Brasil.

Para seu novo raid, o jornal República de 20 de agosto de 1930, relatava os testes realizados nos hangares da Aéropostale e o otimismo do aviador, que afirmava: “Tenho a mais absoluta confiança no êxito da nova empresa que me proponho a realizar”¹. Contudo, com a Revolução de 30 ele se vê impedido de levar a cabo o seu novo empreendimento. Seu avião é confiscado e posteriormente, ele vem a ser preso durante o governo de Getúlio Vargas por sua participação na Revolução Constitucionalista, em 1932, ao lado das forças paulistanas que lutaram parar derrubar o governo provisório de Vargas. Em seus últimos anos, ele tornou-se recluso e veio a falecer de depressão com 47 anos. Seus restos mortais estão em um mausoléu feito em sua homenagem na Praça Siqueira Campos, em Jahú².

¹Republica. O raid do aviador brasileiro Ribeiro de Barros. Florianópolis, 20 de agosto 1930.
Disponível em: http://memoria.bn.br/DocReader/cache/3358404628369/I0030385-20Alt=002300Lar=001564LargOri=003984AltOri=005860.JPG
²POLLI, Julio Cesar; Curso de Letras Unesp/Araraquara. João Ribeiro de Barros – documentário – participação de Julio Cesar Polli. Disponível em:
https://www.youtube.com/watch?v=uSVZ4MUaYw0. Acesso em: 9 nov. 2018; OLIVEIRA, Abrahão. A Travessia Impossível: A História de João Ribeiro de Barros e do Jahú. São Paulo in Foco, 16 de jul. 2015. Disponível em: <http://www.saopauloinfoco.com.br/joao-ribeiro-de-barros-jahu/>. Acesso em: 9 nov. 2018.

Por Elisiana Trilha de Castro

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Publicado em 27/02/2019

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