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Catarinense morto em acidente aéreo – 1928

A historiadora Elisiana Trilha Castro pesquisa notícias sobre a Aéropostale em diferentes jornais brasileiros

Em Blumenau, no cemitério da Comunidade Evangélica Centro repousa o catarinense Gustav Butzke (1903-1928). Em seu túmulo, de autoria da Marmoraria Haas, chama a atenção o desenho de um avião em queda presente na lápide. A homenagem derradeira remete ao modo como ele perdera a vida aos 25 anos de idade: no primeiro acidente aéreo comercial ocorrido no Brasil no dia 3 de dezembro de 1928. Ele era um dos tripulantes do voo de boas-vindas a Santos Dumont em seu retorno ao Brasil. O hidroavião, que por ironia do destino fora batizado com o nome do famoso aviador, caiu no mar na Baia de Guanabara, Rio de Janeiro, a poucos metros da Ilha das Cobras, submergindo e matando todos os seus 14 tripulantes.

Foi o catarinense e Ministro da Viação, Victor Konder que batizou o “pássaro mecânico” com o nome do homenageado do dia. Ele também indicou Gustav para a vaga de mecânico de bordo na Syndicat Kondor Limited, fabricante do aparelho, menos de um ano antes do acidente. Gustav foi retirado ainda com vida da água, mas faleceu no Hospital da Marinha.

O acidente foi notícia nos jornais brasileiros dentre, eles, o catarinense O Estado no dia 4 de dezembro de 1928 com a chamada “O Brasil de luto” que dá detalhes da queda do hidroavião que se partiu em dois ao chocar-se com a água.

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No acidente faleceram também Ferdinando Labouriau, professor da Escola Politécnica e membro do Partido Democrático, Paulo Ottoni de Castro Maya, Manoel Amoroso Costa, Tobias Moscoso e o deputado e médico Amaury de Medeiros, todos membros da Associação Brasileira de Educação (ABE), o major Eduardo Vallo, o jornalista Abel de Araújo e a esposa Virginia da Silva Araújo, o engenheiro Frederico de Oliveira Coutinho, também membro do Partido Democrático.

O jornal Correio da Manhã, também no dia 4 de dezembro de 1928, estampou os rostos das vítimas, descreveu os pormenores do resgate dos corpos, inclusive, a extensão dos ferimentos.

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O acidente deixou Santos Dumont abalado. Ele acompanhou por vários dias a busca pelos corpos e mandou distribuir entre os velórios das vítimas, as flores que recebera nas homenagens. Santos Dumont decidiu cancelar as festividades e retornar a Paris*.

*O ESTADO. O Brasil de luto. Florianópolis, 4 dez. 1928. Disponível em Hemeroteca Digital Catarinense. Acesso em: 10 set. 2018; CORREIO DA MANHÃ. A cidade, que se engalanara para acolher um filho glorioso, recebeu-o com as bandeiras em funeral. Rio de Janeiro, 4 dez. 1928. Disponível em Hemeroteca Digital Biblioteca Nacional. Acesso em: 10 set. 2018.

Fonte: Hemeroteca Digital Catarinense; Hemeroteca Digital Biblioteca Nacional.

Por Elisiana Trilha de Castro

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Publicado em 15/10/2018

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