Uma pioneira amiga de Saint-Exupéry

Uma pioneira amiga de Saint-Exupéry

Anne Morrow saiu ilesa de um acidente aéreo em 1929 no México, quando voava na companhia de seu noivo, o aviador americano Charles Lindbergh. Ela, que viria a ser uma pioneira da aviação na América, estava aprendendo a pilotar e, de acordo com o jornal Correio da Manhã de 23 de abril de 1929, “procurará familiarizar-se com a aviação, tornando-se, por fim, uma grande aviadora, a exemplo do que aconteceu com muitas mulheres em diversos paizes”¹. E a profecia jornalística concretizou-se. Além de escritora, ela se tornou a primeira mulher americana a obter o brevê de piloto de planador. O jornal fez ainda outra previsão certeira ao enfatizar que o sinistro indicava que Miss Anne não desejava afastar o noivo da aviação, uma possibilidade “que chegou a impressionar os circulos aeronauticos americanos”. A notícia ainda afirmava que Anne Morrow era uma entusiasta da navegação aérea, um tema dileto de seus premiados poemas. Completam a notícia, com letras avantajadas na notícia de primeira página, a habilidade de Lindbergh junto com a imagem do aparelho de pernas para o ar. Ele conseguiu pousar o aparelho após perder a roda direita na decolagem, evitando sua explosão ao gastar todo o combustível em várias voltas orbitais, além de recomendar o uso de almofadas à noiva, que saiu sem ferimentos. O avião virou na aterrisagem e ele saiu com o ombro deslocado, mas acompanhado de sua noiva. Anne e Lindbergh, que viriam a se casar no mesmo ano, foram parceiros também em sua paixão pela aviação.

Anne Lindebergh, assim, teve a oportunidade de conhecer, assim como seu marido, o piloto e escritor Antoine de Saint-Exupéry, quanto este se encontrava nos EUA. A relação entre a pioneira e o autor do Pequeno Príncipe foi marcada por cooperação literária, pois Saint-Exupéry veio a fazer o prefácio ao livro Listen! The Wind! (1939). Em 1990, ao contrário, Anne escreveu o prefácio para a edição americana de Escritos de Guerra, reunião de textos de Saint-Exupéry. Além disso, a aviadora deixou em seus diários importantes passagens sobre a convivência com o piloto francês.

Na mesma página do Correio da Manhã, encontra-se uma nota sobre o recorde de permanência no ar batido pela também pioneira da aviação, Maryse Bastié. Como se vê, as mulheres estavam presentes no ar e na mídia nos tempos inaugurais da aviação.

Por Elisiana Trilha de Castro

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Publicado em 26/03/2019